
EXPOSIÇÃO DO SERMÃO DO MONTE: Sétima bem-aventurança (Mt 5:9)
Quem poderia ser descrito como ‘pacificador’? Quais as características de um pacificador? Por que os pacificadores são chamados de ‘filhos de Deus?’
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Felizes são aqueles que possuem um espírito pacífico, não dado a brigas, nem disputas. Felizes são os que fazem de tudo para não entrar em porfias e são mansos em seu proceder. Note que há um entrelaçamento entre a terceira bem-aventurança e esta sétima que estamos avaliando: a terceira diz, “Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra”. A sétima diz: “Bem- aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. Qual a diferença entre as duas? Enquanto a mansidão é primariamente uma atitude passiva, os pacificadores são ativos promotores da paz. Atente no texto de Rm 12:18, “Faça todo o possível para viver em paz com todos”. A primeira aplicação desta sétima bem-aventurança é pessoal: o cristão deve envidar todo esforço para que ele viva em harmonia com todo mundo. Foi isso que acabamos de ler em Rm 12:18, “Se possível, no que depender de você, viva em paz com todas as pessoas”.
Eu me lembro de meus dias de insanidade quando repetia um jargão muito comum que diz: “eu dou um boi para não entrar em uma briga, mas uma boiada para não sair dela”. Que homem tolo era eu antes de minha conversão. Não sei o quanto tenho evoluído, mas com certeza me envergonho de ter proferido este tipo de besteira e loucura. Por trás deste tipo de atitude está uma grande dose de orgulho. Um discípulo de Cristo é, acima de tudo, um homem que busca ser humilde. Afinal, a Bíblia ensina sabiamente em Pv 19:11, “A sabedoria do homem o torna paciente, a sua glória é ignorar ofensas”. Que pérola! Este versículo tem me ajudado muito como pastor e servo de Cristo!
A consequência desta sétima bem-aventurança, “Felizes os pacificadores…”, é que nós somos chamados a tomar a iniciativa de reconciliação quando tivermos atritos e mal intendidos com outrem. Isso não quer dizer que devemos ter a mesma opinião, que devemos concordar, que devemos nos omitir em sermos testemunhas de Cristo. Eu não estou falando de sermos tolerantes com erros e questões politicamente corretas. O cristão deve se posicionar ao lado da verdade e não compactuar com a mentira. Porém, até mesmo para defender o evangelho, devemos ser graciosos e gentis. Adicionalmente, o crente deve ser um agente de paz entre indivíduos que não se entendem ou que não sedão bem. O cristão que deseja ser feliz deve ser um mediador da paz, ou seja, um apaziguador. Noutras palavras, não devemos promover a distância entre as pessoas. “Felizes são os promotores da paz, porque serão chamados filhos de Deus”. O direto oposto dos filhos de Deus são os filhos do Diabo, … aqueles que gostam de brigar e promover brigas. Pois, uma das marcas do Diabo é promover brigas, porfias e contendas. A palavra portuguesa, ‘diabo’, derivada da latina ‘diabolus’, implica em ‘acusar’, dividir, brigar, infernizar. Um filho de Deus, um discípulo de Jesus, irá se esmerar para fugir de brigas, disputas e contendas.
Da mesma forma que Deus promoveu a paz entre Ele e nós (nos Jesus como Mediador), assim também nós imitamos ao Pai (como seus filhos) promovendo e mediando paz entre os homens. Jesus foi chamado de “Príncipe da paz” (Is 9:6); e nós, os cristãos, devemos ser conhecidos como promotores da paz. Veja bem, há um cunho prático nesta bem-aventurança: nós temos aqui uma promessa de felicidade se procuramos viver em paz com todos as pessoas e se formos promotores da paz. Em nome de Jesus, amem.
Dr. David Bowman Riker, Pastor-Presidente, PIB-PA.


